“Vem Cer Artista” tem participação especial do artista plástico Willian Diego

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Na manhã de segunda-feira, 18 de maio, ocorreu, no auditório da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Barueri (SDPD), a segunda edição do “Vem Cer Artista”. “Esse grupo terapêutico tem como proposta oferecer um espaço de construção coletiva para buscar formas criativas de seguir adiante após um diagnóstico que impõe limitações às pessoas”, afirma Cíntia Ishara, fonoaudióloga do Centro Especializado em Reabilitação (CER) da SDPD.

Cíntia compôs a mesa de trabalhos no evento. “A proposta do grupo entende a saúde de forma mais ampla. Nesse sentido, além da ausência de doença ou do esforço para minimizar sequelas, é importante fomentar a autonomia e a participação social dos usuários do CER”, complementa.

Tânia Britto, professora de artes da Secretaria de Cultura e Turismo de Barueri e docente no CER, também participou da mesa. Ela falou sobre os benefícios da arte para os seres humanos, incentivou os presentes a desenvolverem seus talentos artísticos e comentou as dificuldades enfrentadas pelos artistas para obter valorização profissional.

CAPACITISMO

Assim como o racismo, a misoginia e o etarismo, o capacitismo — atitude que considera algumas pessoas menos capazes que outras — é um problema que estigmatiza as pessoas com deficiência e deve ser combatido com:

Respeito;

Escuta;

Acessibilidade;

Informação;

Inclusão;

Autonomia;

Oportunidades.

PALESTRANTE

O convidado do dia foi o artista plástico Willian Diego Miguel, de 37 anos. Ele descobriu a arte após perder os movimentos do pescoço para baixo, em 2014, quando uma pesada chapa de madeira desabou sobre ele em uma marcenaria.

Durante o encontro, contou sua trajetória desde a infância, as conquistas alcançadas como pessoa e artista e, principalmente, as dificuldades enfrentadas tanto nas sessões de fisioterapia quanto no dia a dia.

Willian realiza suas pinturas com o pincel preso entre os dentes, mas consegue permanecer sentado por, no máximo, quatro horas por dia, devido aos quatro pinos implantados no pescoço. “Se ocorrer um ‘estralo’ (tranco), a dor é insuportável, e sou obrigado a parar na hora e suspender a pintura, que é a coisa que mais amo fazer”, relata o artista.

Toda a produção só é possível com a ajuda da mãe, Ana Maria Valentino Miguel, de 60 anos, que interrompe suas atividades como costureira para atender às necessidades do filho, como selecionar pincéis, escolher tintas, ajustar telas e auxiliar em outras demandas.

Em razão da complexidade dos trabalhos, dificilmente ele consegue concluir uma obra em um único dia. Ana Maria também falou sobre os desafios diários que enfrenta. Muitos participantes fizeram perguntas a Willian Diego e consultaram valores para encomendas.

O artista aceita pedidos, mas alerta que o prazo de entrega é indefinido em razão de suas limitações. Segundo as terapeutas Mônica e Cíntia, a história de Willian serve como reflexão sobre a própria vida. “Os encontros procuram valorizar cada acontecimento e cada trajetória, entendendo que a vida é muito maior do que um diagnóstico”, afirmam.

“Desenhar é driblar a realidade e viver em um mundo cheio de esperança”, conclui o artista.

Foto: Tatiane Zechetto/Secom Barueri

 

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