A Polícia Militar encontrou nesta quarta-feira, 02 de setembro, um menino de seis anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que havia se perdido após entrar sozinho em um ônibus em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Os pais não perceberam que ele havia saído de casa.
O motorista do ônibus percebeu que o menino estava desacompanhado e acionou o 190. Uma equipe do 33º Batalhão de Polícia Militar passava pela região quando foi abordada pelo condutor. O 3º sargento Ronaldo da Silva entrou no coletivo e encontrou o menino sentado no fundo do veículo.
Diante da dificuldade de comunicação da criança, que não conseguia informar onde morava, o policial seguiu orientações recebidas em treinamentos para atendimentos a pessoas com o espectro autista. Ele se abaixou para ficar na altura do rosto do menino e passou a conversar de forma calma e pausada.
“Ele estava muito assustado. Fomos ganhando a confiança dele. Depois de um certo momento, acabamos brincando. Eu brinquei com ele de esconde-esconde no ônibus e falava que a gente ia contar quantos bancos tinha no ônibus”, descreve o sargento.
“Com o passar do tempo, viramos amigos. Isso acabou nos ajudando e ajudando ele. Após muito diálogo, ele falou o nome da mãe, do pai e o dele”, contou o policial.
A partir dessas informações, os policiais começaram a buscar pistas que ajudassem a localizar a família. O menino contou que o pai trabalhava em uma empresa de ônibus, e os agentes passaram a cruzar os dados.
A equipe também usou uma informação dada pelo menino sobre o local onde morava. Em determinado momento, ele reconheceu uma região com diversos conjuntos residenciais e passou a apontar para os prédios. Com uma chave e um dispositivo que ele carregava, os policiais testaram os acessos até identificar o residencial.
Cerca de 40 minutos depois, os policiais encontraram a mãe do menino, que estava procurando pelo filho e chorava ao perceber que ele havia sido localizado. “Ela praticamente já foi reconhecendo o filho, chorando e pegando ele no colo. Foi um reencontro muito emocionante”, disse o sargento.
O menino foi encaminhado ao Conselho Tutelar junto com a mãe e, após o atendimento, foi entregue à família em segurança.
ORIENTAÇÕES AJUDAM NO ATENDIMENTO A CRIANÇAS COM TEA
A atuação da equipe foi guiada por orientações específicas para o atendimento de pessoas no espectro autista, como manter uma comunicação tranquila, falar pausadamente e se posicionar na altura da pessoa atendida. A estratégia ajudou os policiais a estabelecerem vínculo com o menino e obterem informações que contribuíram para localizar a família.
“A gente tem que ter bastante calma, porque em certo momento ele também ficou um pouco agitado. Ele queria descer do ônibus, e ali é uma avenida muito perigosa. Então tive que intervir dentro do coletivo. O pessoal do ônibus também foi muito prestativo”, afirmou o sargento.
Em ocorrências envolvendo crianças desacompanhadas, a percepção de quem está por perto pode ser fundamental para garantir um atendimento rápido. Nos dois casos, motoristas e passageiros perceberam que havia algo fora do habitual e acionaram a Polícia Militar, contribuindo para que as equipes localizassem as crianças e garantissem o reencontro delas com as famílias.
SEGUNDO CASO EM DOIS DIAS
Na manhã de terça-feira, 1º de setembro, uma menina de 10 anos foi localizada por policiais militares após embarcar no ônibus errado enquanto seguia para a escola, no bairro do Tremembé, na Zona Norte da capital. A menina estava desacompanhada e um passageiro que percebeu a situação e acionou o 190.
A equipe acolheu a menina e, com apoio do policiamento territorial, a Cabine de Desaparecidos do Centro de Operações da PM (Copom) utilizou as informações fornecidas por ela para identificar a escola e localizar a família. A direção da unidade conseguiu encontrar a mãe e comunicá-la sobre o ocorrido, orientando-a a comparecer à escola.
Fonte: Agência SP

