O corpo do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, executado por criminosos na Praia Grande, no litoral paulista, foi velado nesta terça-feira, 16 de setembro, até as 15h, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), na capital.
Acompanham a cerimônia amigos, familiares, políticos e autoridades do Estado de São Paulo, incluindo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, deputados estaduais e federais, além do prefeito da capital, Ricardo Nunes.
Fontes, que atualmente era secretário de Administração da prefeitura de Praia Grande, foi morto por volta das 18h desta segunda-feira, 15 de setembro, em bairro próximo da prefeitura e do fórum do município.
Imagens de câmeras de segurança mostraram seu carro em fuga, em alta velocidade, até capotar entre dois ônibus ao tentar entrar em uma avenida. O carro que o perseguia chega pouco depois e dele saem três homens com fuzis. As imagens mostram dois deles indo até o carro de Fontes e disparando vários tiros. Em seguida, eles entram no carro e fogem pela mesma avenida onde perseguiram Fontes.
Segundo a prefeitura de Praia Grande, outros dois homens ficaram feridos na ocorrência. Eles foram atendidos pelas equipes do Samu e encaminhados para a UPA Quietude, de onde foram transferidos para o Hospital Municipal Irmã Dulce, sem risco de morte.
O prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, se pronunciou em um vídeo, dizendo estar muito triste pela morte do secretário de administração. Mourão elogiou sua atuação como delegado-geral e disse que Fontes trabalhou intensamente para que a polícia tivesse meios, condições e tecnologia disponível para, cada vez mais, fazer uma boa prestação de serviço à sociedade.
“Infelizmente, acabou sendo assassinado por pessoas que a gente desconhece a motivação. Mas é fundamental que se apure esses fatos. A polícia já está colocando todo efetivo à disposição e o governador [Tarcísio de Freitas] ligou e disse que colocou toda a força tarefa para apurar com intensidade essa situação. Nos cabe nesse momento ficarmos solidários à sua família, que neste momento está sofrendo muito com a morte”, afirmou.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou por meio de nota que determinou uma força-tarefa integrada pelas polícias Civil e Militar, para identificar e localizar os envolvidos no homicídio de Fontes.
“Equipes estão em diligências contínuas na região com apoio de batalhões da Polícia Militar – incluindo o Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) de Santos e equipes da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota)”.
Ainda segundo a SSP-SP, o caso foi registrado junto à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande e será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio de demais departamentos. “Dois veículos foram apreendidos na ocorrência e imagens de câmeras de segurança são analisadas. Foram requisitados exames ao Instituto de Criminalística (IC), que estão em elaboração”, disse a secretaria.
Também por meio de nota, a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo afirmou se solidarizar com os familiares, amigos e companheiros de trabalho de Fontes, a quem se referiu como um policial que ‘teve uma trajetória notabilizada pelo combate ao crime organizado, em suas diversas modalidades”.
Para a Ouvidoria, o episódio pede célere investigação e punição imediata dos culpados, para que se evitem mais mortes, bem como o uso excessivo da força policial, como registrado em operações naquela região do Estado, como as denominadas Escudo e Verão.
“A Polícia Civil de nosso Estado possui instrumentos de inteligência e comprovada experiência em diligências semelhantes, para dar uma resposta pronta e evitar operações açodadas que inflacionem e dilatem o desrespeito aos direitos fundamentais das pessoas e terminem por ampliar o quadro de vítimas inocentes em nossa recente e triste história naquele território”, ressalta a nota.
Na noite de segunda-feira, 15 de setembro, o Ministério Público confirmou que atuará na investigação do caso.
“O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, em conversa com o secretário de Estado da Segurança, Guilherme Derrite, informou que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) vai apoiar a investigação da Polícia Civil no caso da execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, que ocorreu nesta segunda-feira, na Praia Grande”, afirmou o órgão por meio de nota.
HISTÓRICO
Fontes foi delegado por mais de 40 anos, tendo passado pela Divisão de Homicídios do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), além de ter sido delegado de Polícia Titular da 1ª Delegacia de Polícia da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), delegado de Polícia Titular da 5ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Furtos e Roubos a Bancos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e comandado outras delegacias e divisões na capital.
Também foi diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DECAP) e esteve à frente da Delegacia Geral de Polícia do Estado de São Paulo.
Fontes foi responsável pela prisão de lideranças do PCC nos anos 2000, quando atuava na repressão a roubo de bancos, e enquanto delegado-geral, função que exerceu até 2022. Depois de se aposentar, ele assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande (janeiro de 2023), permanecendo na gestão que se iniciou em 2025, com o prefeito Alberto Mourão.
GOVERNO FEDERAL OFERECE AJUDA EM CASO DE EX-DELEGADO EXECUTADO EM SP
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou que o governo federal está à disposição das autoridades de São Paulo para colaborar com o esclarecimento do assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil paulista, Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros nesta segunda-feira, 15 de setembro, em Praia Grande (SP).
“[Hoje] logo cedo, liguei para o governador [Tarcísio de Freitas], colocando-me à inteira disposição de sua excelência no que for necessário para elucidar este crime horroroso.”
Lewandowski participou, na manhã desta terça-feira(16) em Brasília, de uma audiência pública da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
“Prestei minha solidariedade não apenas à família deste policial morto, como também às forças policiais do Estado de São Paulo. E o diretor da Polícia Federal [PF], Andrei Rodrigues, e o secretário nacional de Segurança Pública [Mario Sarrubo] ligaram para o secretário estadual de Segurança Pública [Guilherme Derrite] e se colocaram à disposição da Polícia de São Paulo”, acrescentou o ministro.
Na chegada ao Congresso Nacional, em conversa com jornalistas, o ministro já tinha dito que o crime é muito preocupante, “porque foi um assassinato brutal e que mostra o nível de violência que, infelizmente, grassa [se espalha] no Brasil e em outros países”.
“Isso é muito grave e é fruto da proliferação das armas, sobretudo das armas de uso restrito”, acrescentou o ministro, assegurando que o governo federal está tentando aperfeiçoar o controle dos armamentos à disposição de civis.
“Claro que há outras razões muito graves para que o crime organizado se movimente, mas esta disseminação de armas de todos os calibres, inclusive de uso militar, é responsável por estes brutais assassinatos que estamos vendo”.
Ainda de acordo com Lewandowski, neste primeiro momento, a principal ajuda que o governo federal pode oferecer às forças de segurança paulista é a colaboração dos peritos da PF e do Banco Nacional de Perfis Genéticos, coordenado pelo ministério. “Estamos à inteira disposição. Claro, como coadjuvantes, pois neste momento, a investigação está a cargo das valorosas polícias estaduais”, concluiu o ministro.
REPERCUSSÃO
O assassinato do ex-delegado repercutiu durante a audiência pública da Comissão Especial da PEC da Segurança. A também delegada de carreira e deputada federal Adriana Accorsi (PT-GO) expressou a indignação de policiais de todo o país diante do brutal assassinato de Fontes.
“Não poderia deixar de manifestar a indignação de toda a nossa categoria com o cruel, covarde a audacioso assassinato do delegado Rui Ferraz Fontes, muito querido e respeitado por todos nós”, declarou a parlamentar, autora de um projeto de lei que visa a garantir proteção a autoridades públicas em determinados casos.
Relator da comissão especial, o deputado Mendonça Filho (União-PE), classificou o assassinato de Fontes como “um episódio deplorável” que merece o repúdio de toda a sociedade.
“Espero que a polícia do estado de SP possa chegar àqueles que cometeram esta atrocidade, contando com a cooperação da PF. [Porque] é necessária a atuação do governo central, principalmente da PF e da PRF. Contudo, a ação da segurança pública é eminentemente local e a descentralização é essencial”, pontuou o relator.
Fonte: Agência Brasil
