Uso da vírgula: entenda de uma vez por todas e veja dicas para nunca mais errar – *Juliane Pagamice

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A vírgula é um dos sinais de pontuação mais utilizados na língua portuguesa — e, curiosamente, também um dos mais temidos. Muita gente, inclusive adultos, tem dúvidas na hora de usá-la corretamente, o que pode comprometer a clareza do texto e até gerar interpretações equivocadas. Seja na escola, em redações para exames como o Enem, ou no ambiente profissional, escrever com a pontuação adequada é um diferencial importante para transmitir mensagens com precisão.

“Um dos maiores mitos sobre a vírgula é a ideia de que ela serve apenas para marcar pausas na leitura. Esse conceito, apesar de difundido, é incompleto e pode levar a muitos erros”, diz Juliane Pagamice, docente da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP). Ela explica, por exemplo, que a vírgula pode ter diferentes funções, dependendo de como se olha para ela: para quem lê, ajuda na fluidez da leitura; para quem escreve, organiza as partes da frase e dá sentido ao texto. “A vírgula tem função sintática, ou seja, está relacionada à estrutura das orações. Entendê-la como um elemento organizador do pensamento na escrita é o primeiro passo para usá-la com propriedade”, completa.

SEGUNDO A DOCENTE, OS TRÊS ERROS MAIS COMUNS NO USO DA VÍRGULA SÃO

SEPARAR O SUJEITO (QUE REALIZA OU SOFRE A AÇÃO) DO PREDICADO (DECLARA ALGO SOBRE O SUJEITO).

Exemplo: “O aluno, foi para a escola.”

Inseri-la entre verbo e complemento.

Exemplo: “Ela comprou, um presente.”

IGNORAR A NECESSIDADE DE VÍRGULA EM ORAÇÕES ADJETIVAS EXPLICATIVAS (EXPLICA OU ACRESCENTA UMA INFORMAÇÃO EXTRA).

Exemplo: “Os alunos que estudam passam no vestibular”, quando o correto seria “Os alunos, que estudam, passam no vestibular”, caso a ideia seja generalista.

QUANDO USAR A VÍRGULA

A vírgula deve ser usada para separar elementos que possuem funções diferentes dentro da frase. Veja alguns exemplos clássicos

VOCATIVO: quando nos dirigimos a alguém diretamente.

Exemplo: “Pedro, venha aqui.”

ENUMERAÇÕES: para listar itens ou ideias.

Exemplo: “Comprei maçã, banana, uva e melão.”

ADJUNTO ADVERBIAL DESLOCADO: quando indicamos tempo, lugar ou modo no início ou no meio da frase.

Exemplo: “No final do dia, todos estavam cansados.”

ORAÇÕES COORDENADAS: quando conectamos orações independentes.

Exemplo: “Ele chegou cedo, mas foi embora antes do almoço.”

ORAÇÕES EXPLICATIVAS E APOSTO: quando há um comentário adicional ou explicação.

Exemplo: “Carlos, meu melhor amigo, passou no concurso.”

PARA INDICAR ELIPSE: quando um termo (geralmente o verbo) é omitido (elipse) por já ter sido citado anteriormente.

Exemplo: João gosta de cinema; Maria, de teatro. (Neste caso, a vírgula substitui “gosta”)

ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS INTERCALADAS: quando a oração adverbial aparece no meio da principal.
Exemplo: A prova, embora difícil, foi bem resolvida pelos alunos.

EXPRESSÕES EXPLICATIVAS OU CONECTIVOS: usa-se vírgula para isolar expressões como: isto é, ou seja, por exemplo, afinal, além disso, portanto, contudo, aliás, inclusive etc.

Exemplos:

Ela se atrasou, ou seja, perdeu a apresentação.

Estudou muito, portanto, foi bem na prova.

EM DATAS E ENDEREÇOS: para separar elementos em datas e locais.

Exemplos:

São Paulo, 31 de julho de 2025.

Rua das Flores, 123, Centro, Belo Horizonte.

QUANDO NÃO USAR A VÍRGULA

A vírgula não deve ser usada para separar elementos que pertencem à mesma estrutura essencial da frase:

ENTRE SUJEITO E PREDICADO:

Errado: “A professora, explicou a matéria.”

Certo: “A professora explicou a matéria.”

ENTRE VERBO E COMPLEMENTO:

Errado: “Ele leu, o livro todo.”

Certo: “Ele leu o livro todo.”

ENTRE NOME E ADJUNTO ADNOMINAL:

Errado: “As crianças, da escola, chegaram.”

Certo: “As crianças da escola chegaram.”

QUANDO O USO É FACULTATIVO

Em alguns casos, a vírgula pode ser usada de forma opcional, dependendo do efeito desejado, da ênfase ou do ritmo da leitura:

ADJUNTO ADVERBIAL DE CURTA EXTENSÃO:

“Hoje vamos estudar gramática.” ou “Hoje, vamos estudar gramática.”

ANTES DE ORAÇÕES COORDENADAS COM SUJEITO DIFERENTE:

“Joana estudou para a prova e Pedro descansou.” ou “Joana estudou para a prova, e Pedro descansou.”

EXPRESSÕES INTERCALADAS:

“O filme, na minha opinião, foi excelente.” ou “O filme na minha opinião foi excelente.”

A docente da Escola Internacional de Alphaville finaliza dizendo que o uso da vírgula vai muito além de seguir regras decoradas, é um exercício de estruturação do pensamento e de respeito ao leitor. “Com atenção à função dos termos dentro da oração, é possível escrever com mais confiança e evitar os tropeços mais comuns da pontuação”, completa.

*Juliane Pagamice é professora de Português para os anos finais do Ensino Fundamental e de Redação no Exponential High School da Escola Internacional de Alphaville. Formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduada em Metodologias Ativas pelo Instituto Singularidades, é dedicada ao estudo e ao ensino da língua portuguesa, da leitura e da escrita. Apaixonada pela educação, concentra sua prática na formação de estudantes críticos, criativos e conscientes de seu papel no mundo.

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