O Arraiá Barueri tem atraído um grande público, movimentando a economia local e ampliando a visibilidade da cidade. Quando o assunto é receber milhares de pessoas, a inclusão também faz parte da festa. Por isso, a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SDPD) e a Secretaria de Cultura trabalham para garantir que pessoas com deficiência possam aproveitar os shows com conforto, segurança e acessibilidade.

LIBRAS EM TODOS OS SHOWS
Enquanto milhares de pessoas acompanham as apresentações diante do palco, um importante trabalho de tradução acontece em tempo real ao lado dos artistas. Com preparo prévio, concentração e domínio da Língua Brasileira de Sinais (Libras), três intérpretes transformam letras, expressões e emoções em comunicação acessível para a comunidade surda.
As intérpretes Cleusa Araújo, Luana Larissa de Souza Almeida e Francelia Silva Sales, da Secretaria de Cultura, marcaram presença em todos os shows do Arraiá Barueri 2026. O trio também participou das edições anteriores da festa, garantindo que a comunidade surda pudesse acompanhar cada apresentação.

ACESSIBILIDADE QUE ATRAI PÚBLICO DE OUTRAS CIDADES
Para Cleusa, intérprete de Libras há mais de 20 anos e com ampla experiência em shows e eventos, uma das apresentações mais marcantes foi a de Ludmilla. Segundo ela, pessoas de diferentes cidades do estado vieram a Barueri justamente por saberem que encontrariam acessibilidade. “Vieram pessoas com deficiência auditiva de Praia Grande porque sabiam da acessibilidade da nossa cidade. Quando o intérprete não está bem iluminado, elas reivindicam. Isso revela o quanto a comunidade surda valoriza e luta pelo seu direito de acesso à cultura em igualdade de condições”, afirmou.
Ela destaca que situações como essa reforçam a importância de oferecer condições adequadas para que todos possam participar plenamente dos eventos culturais.
HISTÓRIAS QUE EMOCIONAM
Para a Luana Larissa, um dos momentos mais especiais foi interpretar o show do DJ Dennis, quando uma família surda realizou o sonho de conhecer o artista. “Um momento muito marcante foi quando atuei no show do DJ Dennis. Um menino surdo, acompanhado da família — também composta por pais surdos — realizou o sonho de conhecer o artista.
Esse momento encheu meu coração de alegria, especialmente ao ouvir o relato da felicidade que ele sentiu naquele instante”, contou a intérprete.

MUITO ESTUDO ANTES DE SUBIR AO PALCO
Por trás das interpretações existe um intenso trabalho de preparação que começa antes dos shows. As profissionais estudam repertórios, estilos musicais, expressões populares, metáforas e referências culturais para transmitir não apenas o significado das letras, mas também a atmosfera e a identidade artística de cada apresentação.
“Nós, intérpretes, não paramos de estudar. Em eventos como o Arraiá Barueri, analisamos o estilo musical, se é romântico, dramático ou festivo, além do contexto e da mensagem das músicas. O ideal é receber o repertório com antecedência, mas isso nem sempre acontece. Quando surgem situações inesperadas, utilizamos as habilidades de interpretação simultânea e processamento rápido das informações. A preparação prévia ajuda muito nesses momentos”, explicou Francelia.
ILUMINAÇÃO FAZ A DIFERENÇA
Além do conhecimento técnico das intérpretes, a iluminação adequada é um fator essencial para que as pessoas surdas consigam acompanhar a tradução em Libras durante os shows.
Regina Alves da Silva, que é surda e acompanhou a apresentação de Lauana Prado, fez questão de destacar esse aspecto da estrutura. “Eu adoro a Lauana. É muito importante ter acessibilidade. Hoje está tudo muito organizado e a iluminação está ótima. Conseguimos enxergar bem as intérpretes e acompanhar tudo o que elas estão sinalizando. Está maravilhoso. Eu adoro as três intérpretes, elas são maravilhosas”, elogiou.
Segundo as profissionais, a iluminação adequada é uma das principais reivindicações da comunidade surda em eventos culturais, pois garante que a comunicação em Libras seja acompanhada com clareza durante toda a apresentação.

ESPAÇO RESERVADO GARANTE CONFORTO E ACOLHIMENTO
Em frente ao palco, do lado esquerdo, está localizada a área reservada para pessoas com deficiência. Mediante apresentação de documentação comprobatória, o público pode acompanhar os shows em um espaço com melhor visibilidade, conforto e segurança.
O local atende pessoas com deficiência física, auditiva, visual, intelectual, múltipla e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O espaço tem recebido elogios dos frequentadores pela organização, pelo controle de acesso e pelo acolhimento oferecido durante os eventos.
Desde o primeiro dia de shows, mais de cem pessoas já usufruíram da estrutura. Em cada apresentação, a área conta com dois técnicos da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. São profissionais de diferentes áreas, como fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicopedagogia, preparados para orientar, acolher e auxiliar o público sempre que necessário.
O presidente do fã-clube da Lauana Prado, Yuri Ferreira da Silva, que tem deficiência visual, aprovou o espaço e destacou a oportunidade de ficar o mais perto possível da cantora.
“O evento está incrível. Para a gente que é fã-clube, é muito conveniente, e por ser gratuito, é uma oportunidade para os fãs de São Paulo assistirem. O espaço é mais do que adequado, bem amplo. Já marquei presença no show da Lauana aqui no Natal Encantado e foi incrível também”.
ESTRUTURA APROVADA PELO PÚBLICO
Arterxerxes Teixeira de Souza, de 32 anos, cadeirante, atleta paralímpico de esgrima e participante de atividades da SDPD, esteve presente no Arraiá e aprovou a estrutura oferecida. “Eu sempre venho aos shows. Gosto da Lauana, e ela tem músicas que mexem com o coração. Está tudo muito bonito. A cada ano que passa, o Arraiá fica melhor. O espaço reservado está bem estruturado e funciona muito bem. Está excelente”, afirmou.
Foto: Tatiane Zechetto/Secom Barueri

