Prof. Candal e Comunidade – Juntos pelo bem comum! Vamos falar sobre a Páscoa

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Páscoa: A Luz da Ressurreição e da Vida – *Enzo Petrolino

A Páscoa deste ano é celebrada sobre o pano de fundo de um mundo ferido por violências e conflitos. Da Terra Santa ao Oriente Médio, da Ucrânia a outros focos esquecidos, a palavra paz ressoa mais como um grito do que como uma realidade. E dentro desse cenário, o testemunho da Igreja, do Papa e dos Patriarcas orientais assume uma força profética: proclamar a Ressurreição significa afirmar que a vida é mais forte que a morte, mesmo quando a história parece dizer o contrário.

Durante a Missa do Domingo de Ramos, na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV pronunciou uma das mensagens mais contundentes de seu pontificado: «Deus não ouve a oração de quem faz a guerra… Deus rejeita a guerra, que ninguém pode usar para justificá-la».

Palavras duras, ditas sob o sol romano diante de dezenas de milhares de fiéis, que trouxeram o cristianismo de volta ao coração de sua radicalidade evangélica: o Deus crucificado não abençoa as armas, mas sim as lágrimas das vítimas e a coragem daqueles que escolhem a não-violência. Leão XIV pediu para “depor as armas” e recordar que “somos irmãos”, reafirmando que Jesus, Rei da paz, não se defendeu, não reagiu à violência, mas levou sua mansidão até a cruz.

Nas cidades sitiadas, nos campos de refugiados, nas aldeias onde as igrejas se tornaram abrigos, a Páscoa não é apenas uma solenidade litúrgica: é um sussurro de vida teimosa, como um broto que racha a pedra. A fé, nesses lugares, é um ato de resistência, e a esperança é o espaço interior onde a guerra não pode entrar.

Em seu apelo pascal, o Pontífice recordou aqueles que vivem a Páscoa em meio à guerra e convidou à oração por todos os que não podem celebrar a fé com liberdade ou serenidade. As palavras de Leão XIV ecoam enquanto, em Jerusalém — palco de novas tensões —, os Patriarcas e Chefes das Igrejas cristãs, apesar das dificuldades, lançam um emocionado apelo ao cessar-fogo: Na devastação da guerra, a Ressurreição abre para a esperança… a desolação do sepulcro não foi a última palavra.

Suas vozes se unem em um único clamor: a fé não pode ser separada da justiça, e rezar ao Cristo Ressuscitado significa comprometer-se a remover as pedras que ainda hoje fecham os “sepulcros” da história — o ódio, a vingança, a desumanização do outro.

Em um tempo em que “até mesmo a esperança parece ter-nos abandonado”, a Páscoa volta a ser um ato de força espiritual e civil. Não uma festa ingênua, mas um apelo à responsabilidade: crer na vida nova que brota da cruz significa trabalhar concretamente pela paz, pela justiça, pelo desarmamento e pela dignidade de cada vítima.

O cristão, diz o Papa, não é um otimista ingênuo, mas uma “testemunha da esperança viva”: a mesma esperança que os Patriarcas de Jerusalém invocaram “para o alívio das multidões que sofrem com a guerra”.

Assim, a Páscoa deste ano chega em um tempo em que as notícias de guerra escurecem o horizonte do mundo. E, no entanto, enquanto as bombas destroem cidades e esperanças, a natureza nos recorda sua fidelidade ao ritmo da vida: a primavera floresce mesmo entre os escombros. A natureza torna-se uma parábola do Evangelho: depois do inverno, tudo parece voltar a respirar.

Nas tradições populares, este dia une a fé e a vida cotidiana — as mesas fartas, os ovos coloridos, os perfumes dos jardins, sinais simples do desejo humano de esperança e renascimento.

Assim, enquanto o mundo carrega as cicatrizes da guerra, a primavera e a Páscoa tornam-se dois nomes do mesmo mistério: a promessa de que a vida pode florescer novamente, apesar de tudo.

É nesse entrelaçamento de dor e renascimento que a Páscoa cristã encontra seu sentido — a festa da vida que renasce, da escuridão que cede à manhã, da morte que não tem a última palavra.

E assim, mesmo na escuridão deste tempo, a Páscoa não deixa de proclamar sua verdade mais radical: nenhuma noite é tão profunda que possa impedir a chegada da aurora.

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