O Ministério Público Federal (MPF) e as Defensorias Públicas da União (DPU) e do estado do Rio de Janeiro (DPRJ) encaminharam ao governo do Rio de Janeiro e à prefeitura da capital fluminense um pedido para que adotem recomendações urgentes de enfrentamento à onda de calor dos últimos dias.
O ofício assinado na noite de sexta-feira, 26 de dezembro, trata de “adoção de providências urgentes, coordenadas e intersetoriais de proteção dos grupos vulnerabilizados diante de cenários de calor extremo”.
O documento foi enviado ao governador Cláudio Castro, ao prefeito Eduardo Paes e secretários, como os da pasta da Saúde, tanto na esfera municipal quanto estadual.
O ofício aponta que as elevadas temperaturas configuram cenário de risco à saúde e à integridade física da população, “especialmente dos grupos em maior vulnerabilidade social e clínica”.
Entre os impactos à saúde, os órgãos citam “desidratação, exacerbação de doenças crônicas, insolação, exaustão térmica e, em casos extremos, o golpe de calor (heatstroke), que apresenta elevada taxa de mortalidade”.
MPF e as Defensorias destacam que os efeitos do calor extremo são sentidos de forma desigual, “afetando desproporcionalmente populações historicamente marginalizadas e em situação de vulnerabilidade social”.
ONDA DE CALOR
Desde a tarde da véspera de Natal, quarta-feira, dia 24, a cidade do Rio de Janeiro está no estágio 3 de calor, em uma escala que vai até 5. No nível 3, há registro de índices de calor alto (36°C a 40°C), com previsão de permanência ou aumento por, ao menos, três dias seguidos.
Na quinta-feira, dia 25, os termômetros marcaram 40,1°C, recorde do mês. Para este sábado, 27 de dezembro, a previsão do Alerta Rio, sistema de meteorologia da prefeitura do Rio de Janeiro, é temperatura máxima em 38°C.
No domingo, dia 28, deve chegar a 40°C. Alívio com chuva só a partir de segunda-feira, 29 de dezembro, mas ainda com temperatura perto de 40°C.
O calor excessivo tem levado centenas de pessoas às unidades de saúde. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, a rede de urgência registrou média de 450 atendimentos por dia.
Os casos mais comuns possivelmente relacionados ao calor são tontura, fraqueza e desmaios, além de queimaduras solares.
No âmbito estadual, o governo alertou todos os 92 municípios para os perigos do calor excessivo.
O tempo quente dá as caras também em grande parte do Brasil. A explicação está em um bloqueio atmosférico.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para onda de calor que atinge partes das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
GRUPOS VULNERÁVEIS
No ofício enviado ao Estado e a prefeitura do Rio, o MPF e a Defensoria apontam os seguintes grupos de risco
Crianças, especialmente lactentes, recém-nascidos e prematuros;
Idosos acima de 65 anos;
Gestantes e lactantes;
Pessoas de doenças crônicas e com deficiência;
Trabalhadores ao ar livre e desportistas;
Indivíduos com restrição de mobilidade e acamados;
População em situação de rua.
POPULAÇÃO DE RUA
Especificamente sobre população em situação de rua, o comunicado cita que um protocolo municipal reconhece que a condição clínica é agravada pela vulnerabilidade social, uma vez que:
Estão mais expostas ao calor extremo devido ao menor acesso a ambientes refrigerados e à proteção solar
Sujeitas a elevada carga de morbidade por diversas condições clínicas determinadas socialmente;
Menor acesso a água potável e resfriada, bem como a alimentos adequados.
O MPF, DPU e DPRJ lembram que o próprio protocolo municipal orienta medidas como:
Ativação de centros de hidratação nas unidades de Atenção Primária à Saúde;
Designação de pontos de resfriamento em locais com ar-condicionado ou refrigeração, com divulgação à população;
Ampliação da oferta de estações de hidratação ou distribuição de água nos
Locais de acolhimento das populações mais vulneráveis;
Possibilidade de ampliação dos horários de funcionamento dos locais
Públicos com ar-condicionado, refrigeração ou áreas sombreadas.
RECOMENDAÇÃO E PRAZO
Entre as recomendações ao Estado estão o preparo do Corpo de Bombeiros para o resgate de pessoas e garantia da disponibilidade de leitos e capacidade de atendimento na rede de saúde.
O MPF e as Defensorias cobram que município e Estado informem, dentro de 24 horas, medidas concretas deflagradas, com “indicação precisa” de
Pontos de resfriamento ativados, com endereços e horários de funcionamento;
Locais e horários de distribuição de água e hidratação;
Unidades de saúde atuando como centros de hidratação;
Fluxos de atendimento e encaminhamento ativados;
Operações de resgate e atendimento pré-hospitalar realizadas.
Fonte: Agência Brasil
