As fortes chuvas que atingiram a zona da mata mineira desde segunda-feira, 23 de fevereiro, deixaram até o momento 36 mortos dos quais 30 em Juiz de Fora e seis em Ubá, informou o Corpo de Bombeiros na manhã desta quarta-feira, 25 de fevereiro.
Há 31 pessoas desaparecidas em Juiz de Fora e duas em Ubá. Não há desaparecidos nem mortos em Matias Barbosa. O total de vítimas resgatadas com vida chega a 208 na região.
Juiz de Fora teve 584 milímetros de chuvas acumuladas, o que faz do mês de fevereiro o mais chuvoso da história do município mineiro, com volume superior ao dobro do esperado para o mês.
A prefeitura de Ubá informou que a cidade foi atingida por 170 milímetros (mm) de chuva em cerca de três horas e meia e que o Rio Ubá atingiu 7,82 metros.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, está em Juiz de Fora nesta manhã e disse que todo suporte humanitário aos desalojados está sendo providenciado.
“Esta madrugada seis vítimas foram localizadas. A previsão é que o trabalho dos bombeiros ainda deve durar até cinco dias. Há muito escombro, muita lama para ser removida”, afirmou o governador, no programa Alô, Alô, Brasil, da Rádio Nacional.
Na tarde da terça-feira, dia 24, o governo anunciou um repasse de R$ 800,00 a cada pessoa desabrigada na Zona da Mata de Minas Gerais. Os recursos serão pagos às prefeituras para a aquisição de itens de primeira necessidade.
“Nós temos centenas de pessoas desabrigadas, aí [este recurso] é para a prefeitura comprar colchão, mantimento, roupa, enfim, para apoiar”, afirmou o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, em entrevista a jornalistas, no Palácio do Planalto.
Também na terça-feira, dia 24, equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e do Departamento de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde deslocaram médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais para a região. As equipes de saúde levaram kits de emergência contendo medicamentos e insumos.
A Defesa Civil Nacional enviou na manhã de ontem, dia 24, oito técnicos especialistas do Grupo de Apoio a Desastres (Gade). Os profissionais vão colaborar para acelerar as ações de assistência humanitária, para o restabelecimento de serviços essenciais e para a reconstrução nas cidades atingidas.
CHUVAS CONTINUAM
Segundo a Defesa Civil estadual, são esperadas nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, tempestades por todo o Estado. Elas podem vir acompanhadas de acumulados pluviométricos de cerca de 40 milímetros, rajadas de vento superiores a 70 quilômetros por hora e eventual ocorrência de granizo.
“Recomenda-se atenção para o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra, além da possibilidade de queda de árvores e destelhamentos, especialmente em regiões mais vulneráveis”, diz a Defesa Civil.
SOTERRADO, HOMEM SOBREVIVE COM AJUDA DE AMIGO EM JUIZ DE FORA
O barulho foi seco e repentino. Em segundos, Deivid Carlos da Silva estava soterrado nas ruínas de sua casa no Jardim Parque Burnier, na zona sudeste de Juiz de Fora. Preso nos escombros, ele tinha certeza de que não sairia vivo. “Vou morrer, vou morrer. Só pensava nisso”, lembra.
Sem conseguir se mover durante uma hora e meia, já sem esperanças, o desespero de Deivid só foi interrompido quando percebeu que alguém tentava alcançá-lo.
“Meu amigo cavou com a mão, tirou uma pedra. Eu consegui ver um buraco, luz e respirar”, diz.
O amigo é Luiz Otávio Souza, também morador da região, que passou a madrugada ajudando no resgate dos vizinhos. Isso, mesmo com chuva forte e o risco de novos deslizamentos.
“Estava tudo escuro. Só conseguia enxergar com lanterna. Chuva em cima, mas mantendo o trabalho, porque com vidas não se brinca”, diz.
A mulher e o filho de Deivid também foram retirados dos escombros com a ajuda dos moradores do bairro.
Enquanto ajudava a salvar os vizinhos, Luiz Otávio enfrentava uma angústia pessoal. Ele acompanhava as buscas por dois familiares, desaparecidos desde o deslizamento.
“Meu sobrinho, de 21 anos, e a mãe dele, de 41. Ele chegou do serviço, deixou a mochila em casa e foi vê-la. Aí veio o desabamento”, conta.
Mesmo sem dormir e sem comer direito, Luiz Otávio mantinha o ritmo de trabalho nos escombros.
“Enquanto não achar todo mundo, não vou parar. Todo mundo aqui é família, amigo. Não tem como deixar ninguém para trás. É uma dor para todos”, acrescenta.
Fonte: Agência Brasil
