A dupla que levou a música caipira do interior para todo o Brasil ganha homenagem na abertura da Mostra Violas Brasileiras: Da Raiz ao Contemporâneo, na quinta-feira, 22 de outubro, às 18h, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP), com entrada gratuita.
No espetáculo ‘Tonico e Tinoco: uma história cantada’, Zeka Peres, filho de Tinoco e radialista, narra memórias e causos de bastidores, enquanto Gerson Ramos e Tarcísio Manuvéi (vozes e violas) interpretam clássicos como “Chico Mineiro”, “Beijinho Doce” e “Moreninha Linda”.

Zeka Peres, filho de Tinoco, Gerson Ramos e Tarcísio Manuvéi
A primeira semana segue com tradições de diferentes cantos do país. Ainda na quinta-feira, dia 22, às 19h30, o fandango caiçara do litoral sul paulista chega com Cleiton Prado e o Grupo Manema, ao lado do mestre Rodolfo Vidal.
Na sexta-feira, dia 23, sobem ao palco o violeiro e luthier Julio Santin e o trio formado por Francisco Andrade, Letícia Torança e Rainer Patriota, que une viola caipira e viola da gamba.
No sábado, 24 de outubro, Rodrigo Caçapa conduz oficina e roda de prosa, o duo gaúcho Valdir Verona e Rafa De Boni traz a música do Sul do Brasil e o Grupo Madureira Armorial encerra a semana.
Ao todo, a Mostra reúne 14 atrações em seis dias, 22, 23, 24, 29, 30 e 31 de outubro, entre 12 shows, uma oficina e uma masterclass, que celebram a viola caipira como patrimônio cultural vivo e a diversidade da família das violas brasileiras, das tradições regionais às experimentações atuais.

A capital paulista encerra a 2ª edição da Mostra, que já passou por Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro, e marca a volta ao espaço onde tudo começou, em agosto de 2024. A realização é do Projeto Violas Brasileiras, Ministério da Cultura e Banco do Brasil, com patrocínio por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
Idealizada pelo produtor cultural e coordenador do Projeto Violas Brasileiras, Júlio José, e com direção artística do violeiro, compositor e pesquisador Ivan Vilela, a Mostra revela a amplitude da viola caipira: instrumento enraizado na cultura do interior, mas também presente nas mãos de músicos urbanos, de diferentes gêneros e influências.

Francisco Andrade, Letícia Torança e Rainer Patriota
“A proposta é mostrar que existe uma família de violas brasileiras, com várias linguagens, como a viola de cocho, no Pantanal, a viola machete no recôncavo baiano com seus sambas, a de buriti nas comunidades quilombolas, sempre mantendo a tradição, resistindo nas comunidades desse Brasil. Podemos dizer que elas ‘são irmãs’ que se unem na Mostra Violas Brasileiras, representando a tradição e as novas linguagens no mesmo palco”, pontua Júlio José.
Para ele, encerrar a 2ª edição em São Paulo é motivo de grande felicidade. “Voltamos ao espaço onde tudo começou, em agosto de 2024, quando realizamos a 1ª Mostra Violas Brasileiras: O Som do Brasil, também no CCBB. Nos sentimos em casa e queremos fechar este ciclo com uma verdadeira celebração da viola”, afirma Júlio.
Para o diretor artístico Ivan Vilela, o público vai encontrar não uma, mas várias violas. “Cada região construiu a sua, com afinações, ritmos e jeitos de cantar próprios. Reunir essa diversidade em seis dias, com mestres da tradição dividindo o palco com jovens violeiros, mostra que a viola brasileira está viva e em constante transformação”, destaca Ivan Vilela.
PROGRAMAÇÃO
Símbolo de identidades regionais e ponte entre tradição e inovação, a viola ganha na Mostra uma programação que presta homenagem a mestres históricos, como Tonico e Tinoco, e dá espaço a representantes das novas gerações.
1ª SEMANA: HOMENAGEM AOS MESTRES E TRADIÇÕES REGIONAIS
Depois da homenagem a Tonico e Tinoco, que abre a Mostra na quinta-feira, 22 de outubro, às 18h, o mestre de Fandango Caiçara de Cananéia, Rodolfo Vidal, se une ao Grupo Manema, liderado por Cleiton Prado (Iguape-SP), às 19h30, para apresentar um repertório de fandangos do litoral sul paulista.
Na sexta-feira, dia 23, às 18h, o violeiro, compositor e luthier Julio Santin, de Irapuru (SP), apresenta seu repertório autoral instrumental. Às 19h30, Francisco Andrade (viola caipira), Letícia Torança (voz) e Rainer Patriota (viola da gamba) reúnem pesquisa, criação e interpretação em um diálogo entre diferentes tradições da música brasileira.
No sábado, dia 24, às 15h, o músico, compositor, arranjador, violeiro e pesquisador Rodrigo Caçapa, de Recife (PE), conduz oficina e roda de prosa sobre seu livro ‘Um Inventário das Violas, das Cantorias e dos Sambas Nortistas – de 1800 a 1930’. Às 17h, o duo gaúcho Valdir Verona (viola) e Rafa De Boni (acordeon), de Caxias do Sul (RS), apresenta a música regional do Sul do Brasil, com milonga, chamamé, chacarera e tango.
Para encerrar a primeira semana, às 19h30, o Grupo Madureira Armorial, fundado pelo multi-instrumentista paraibano Gilber Souto Maior, presta homenagem ao legado de Antonio Madureira e dá continuidade ao Quinteto Armorial, com viola, violino, violão, flauta e percussão.

Grupo Madureira Armorial
2ª SEMANA: NOVA GERAÇÃO, DIVERSIDADE DE VOZES E ENCERRAMENTO
Na quinta-feira, 29 de outubro, às 18h, a violeira, cantora e compositora Mel Moraes (Socorro-SP), destaque da nova geração da viola caipira, apresenta show solo. Ela venceu o Concurso de Viola SP e foi premiada como Violeira Revelação no Revelando São Paulo e no Festival Viola da Terra. Às 19h30, Dani Lasalvia, multi-instrumentista pesquisadora do universo de Dércio Marques, e o violeiro e pesquisador das tradições populares do interior paulista Fernando Guimarães celebram o cancioneiro popular brasileiro.
Na sexta-feira, 30 de outubro, às 18h, o violeiro Vini Muniz divide o palco com as Rendeiras da Aldeia, coletivo de mulheres que preserva a renda renascença e os cantos de trabalho da Aldeia Jesuítica de Carapicuíba (SP). Às 19h30, a Família Garfunkel, liderada pelo compositor, poeta e intérprete Jean Garfunkel, autor de canções gravadas por Elis Regina, Maria Rita e Zizi Possi, reúne as gerações de artistas em um espetáculo com viola caipira, violão, baixo, flauta, percussão e vozes.

Ivan Vilela
O encerramento, no sábado, 31 de outubro, começa às 15h com a masterclass do violeiro, pesquisador e professor Junior da Violla, que apresenta a evolução do instrumento em encontro didático e musical. Às 17h, Ivan Vilela, fundador e diretor da Orquestra Filarmônica de Violas e uma das principais referências da viola caipira no Brasil, sobe ao palco.
Às 19h, Neymar Dias (viola caipira), com trabalhos indicados ao Grammy Latino, e Claudio Lacerda (violão e voz), três vezes premiado como melhor intérprete da viola caipira, fecham a Mostra com um espetáculo que une a cultura caipira à música de câmara contemporânea.
SERVIÇO
Mostra Violas Brasileiras: Da Raiz ao Contemporâneo Local: CCBB SP – Rua Álvares Penteado, 112, Centro
Temporada: 22, 23, 24, 29, 30 e 31 de outubro de 2026 – quintas, sextas e sábados
Classificação indicativa: Livre
Entrada Gratuita: Ingressos disponíveis uma hora antes de cada apresentação na bilheteria física e no site do CCBB Oficina e masterclass: Ingressos disponíveis no site do CCBB
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República.
Das 12h às 21h.
Transporte público: O CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Entrada acessível: Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal.
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