Femupo de Barueri chega à 54ª edição valorizando a música popular brasileira

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Resistência foi a palavra que marcou o Festival de Música Popular de Barueri (Femupo), que chegou à sua 54ª edição reafirmando a importância da música popular brasileira e da valorização dos artistas. A final foi realizada no domingo, 18 de outubro, na Praça das Artes. Há 54 anos, o festival mantém viva essa tradição na cidade. O evento é promovido pela Prefeitura de Barueri, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo.

Artistas de diversas regiões do país participaram dos três dias de festival, realizados de 16 a 18 de outubro. A grande final, no domingo, 18 de outubro, foi encerrada com um show da cantora Luedji Luna.

Ao todo, 14 finalistas chegaram à última etapa: quatro na categoria Prata da Casa, destinada a artistas de Barueri, e dez na categoria Livre. No palco, as canções deram voz a diferentes temas. Houve espaço para celebrar a vida no interior, combater o preconceito musical, defender o fim das queimadas nas florestas, homenagear grandes compositores e retratar o sertão. Também não faltaram críticas ao capitalismo exacerbado, além de canções de amor e esperança.

JURADOS DE DESTAQUE

Entre os jurados desta edição estava Filó Machado, um dos artistas mais completos da música brasileira. Cantor, compositor, arranjador, produtor e multi-instrumentista, ele soma mais de 60 anos de carreira e é reconhecido pela fusão entre a MPB, o jazz e os ritmos afro-brasileiros.

Ao longo de sua trajetória, construiu pontes entre a música brasileira e o cenário internacional, trabalhando ao lado de grandes nomes, como Aldir Blanc, Djavan, Gilberto Gil, Gal Costa, Nina Simone e Jon Hendricks.

“Vou todos os anos realizar trabalhos na Europa, na Ásia e na América do Norte. Sinto o quanto a nossa música, a música popular brasileira, tem cada vez mais capacidade de influenciar o mundo inteiro. Estou imensamente feliz em aterrissar em Barueri, curtir esse lindo festival e estar ao lado de vocês. Muito obrigado”, afirmou.

VENCEDORES

Na categoria Prata da Casa, a banda Naja, de Barueri, conquistou o primeiro lugar com a canção “Onde Já Se Viu?”. A apresentação combinou rap, metais, ginga, batuque e muito rock.

Prestes a completar 40 anos de trajetória, a Naja já participou de várias edições do Femupo, mas esta foi a primeira vez que chegou à final. Segundo Glauco Costa, líder da banda, o grupo decidiu apostar em uma composição que misturasse diferentes estilos musicais.

“A gente partiu para uma proposta completamente diferente, uma mistura de ritmos e do não preconceito musical, com samba, rock, rap e soul. Acho que por isso deu certo. A gente foge do padrão, mas é uma coisa boa! Que o festival continue sendo reconhecido no Brasil, continue sendo essa vitrine e aposte cada vez mais em músicas autorais!”, afirmou.

Na categoria Livre, o primeiro lugar ficou com “Você Não Saberia”, interpretada por Giulia Damásio. A canção foi composta por Felipe Montanaro, que também a executou ao piano. Os dois artistas são de Pouso Alegre (MG).

Giulia destacou a estrutura da Praça das Artes, a organização do evento e a qualidade dos concorrentes.

“Eu fiquei muito surpresa com a estrutura. O teatro aqui é maravilhoso. A gente já participou de muitos festivais e achei incrível a produção, tudo muito organizado. Fiquei surpresa com o resultado e muito feliz, porque tem gente muito boa concorrendo. Estamos muito felizes”, disse a intérprete.

LUEDJI LUNA ENCERRA O FESTIVAL COM SHOW INTIMISTA

A cantora baiana Luedji Luna encerrou a programação com um show acústico marcado por sua voz potente, carisma e interpretação envolvente. Com conversas entre as canções, a artista criou uma atmosfera intimista e aproximou-se do público, como em uma conversa ao pé do ouvido.

O repertório incluiu músicas como “Apocalipse”, “Encruzilhada”, “Gris”, “Gamboa” e “Ela é o Que Há”, entre outras.

Ao comentar a permanência do festival em Barueri, a cantora ressaltou a importância de preservar essa tradição e destacou a riqueza da produção musical brasileira.

“Fico muito feliz que Barueri tenha mantido essa tradição. O cancioneiro brasileiro é o mais rico, mais belo, mais caro do mundo. O nosso jeito de fazer música e o nosso jeito de cantar poesia são muito respeitados pelo mundo. Toda premiação dá fôlego e fogo para os nossos sonhos. Vida longa aos festivais e que estejam no Brasil todo!”, declarou.

CLASSIFICAÇÃO – PRATA DA CASA – BARUERI

1º lugar – “Onde Já Se Viu?” – Grupo Naja

2º lugar – “Vitória” – Oliver Soul

3º lugar – “E Aí, Então?” – Grupo Alpiste

4º lugar – “Sangue de Braz” – Alemão do Banjo

CLASSIFICAÇÃO – LIVRE

1º lugar – “Você Não Saberia” – Giulia Damásio e Felipe Montanaro – Pouso Alegre (MG)

2º lugar – “A Saudade” – Felipe Bedetti e Ronaldo Pereira – Belo Horizonte (MG)

3º lugar – “Tô Virando Coisa” – Marco Vilane e Alexandre Lemos – São Paulo (SP)

4º lugar – “Ladainha da Esperança” – Eduardo Santhana e Gonzaga Blantez – Santana de Parnaíba (SP)

5º lugar – “A Sede Justa de Falar de Amor” – Zé Alexandre Gomes e Marcia Cherubini – São Caetano do Sul (SP)

CATEGORIA – MELHOR INTÉRPRETE

Felipe Bedetti – Belo Horizonte (MG) – pela interpretação de “A Saudade”.

Foto: Tatiane Zechetto/Secom Barueri

 

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