O registro de casos de sarampo em São Paulo volta a chamar a atenção para uma doença que, apesar de prevenível por vacina, apresenta elevada capacidade de transmissão e pode provocar complicações graves. O cenário reforça a importância de crianças e adultos verificarem situação vacinal e de a população saber reconhecer os sinais que podem indicar a doença.
Segundo o Prof. Ms. João Gregório Neto, docente do curso de Enfermagem da Faculdade Santa Marcelina, a vacinação permanece como a principal estratégia de prevenção porque não existe tratamento antiviral específico capaz de interromper a transmissão do vírus do sarampo.
“A vacinação não protege apenas a pessoa que recebe a vacina. Quanto maior o número de pessoas imunizadas, menor é a possibilidade de o vírus encontrar indivíduos suscetíveis e manter cadeias de transmissão”, explica o docente.
Para o sarampo, o objetivo é manter uma cobertura vacinal de pelo menos 95% da população, de maneira consistente e com o esquema completo. O cuidado com a homogeneidade é importante porque índices gerais elevados podem esconder bairros, municípios ou grupos populacionais com menor proporção de pessoas vacinadas, criando condições para a ocorrência de surtos. O alerta ganha importância diante do cenário registrado em 2026.
CRIANÇAS E ADULTOS DEVEM VERIFICAR A SITUAÇÃO VACINAL
A atenção à caderneta de vacinação não deve ficar restrita às crianças, adultos jovens, profissionais de saúde, viajantes e pessoas que vivem ou circulam em áreas com transmissão do vírus também precisam conhecer seu histórico vacinal.
De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, crianças recebem a primeira dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, aos 12 meses e a segunda dose aos 15 meses, com a vacina tetraviral. Pessoas de 05 a 29 anos devem comprovar duas doses, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem ter uma dose, conforme o histórico vacinal. Para trabalhadores da saúde, a recomendação é de duas doses, independentemente da idade.
Diante de situações epidemiológicas específicas, estratégias adicionais também podem ser adotadas pelas autoridades sanitárias. Em julho, por exemplo, foi recomendada a chamada “dose zero” da tríplice viral para crianças de 06 a 11 meses e 29 dias em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo. A aplicação antecipada, entretanto, não substitui as doses previstas no calendário de rotina.
Desde 03 de agosto, São Paulo também intensificou a vacinação contra o sarampo, com oferta de uma dose para pessoas de 06 meses a 59 anos. Segundo os dados reunidos no material, aproximadamente 750 mil doses já haviam sido aplicadas desde o início da estratégia.
FEBRE, TOSSE, CORIZA E MANCHAS PELO CORPO EXIGEM ATENÇÃO
Os primeiros sintomas do sarampo podem ser confundidos com os de outras infecções respiratórias. Febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar intenso costumam aparecer no período inicial, de acordo com o profissional. Posteriormente, surge o exantema, as manchas avermelhadas características da doença.
“Geralmente, as manchas começam na região da face e atrás das orelhas e depois se espalham pelo restante do corpo”, explica João Gregório Neto.
Ao apresentar febre e manchas pelo corpo ou suspeitar de sarampo, a orientação é procurar atendimento de saúde e informar previamente ao serviço sobre a suspeita. A medida permite que a equipe adote cuidados para reduzir o contato do paciente com outras pessoas. Por causa da elevada transmissibilidade do vírus pela via respiratória, também é recomendável evitar a circulação desnecessária de pessoas com suspeita da doença em ambientes fechados e coletivos, como salas de espera, escolas e locais de trabalho.
DESINFORMAÇÃO AINDA REPRESENTA DESAFIO
Além de ampliar a cobertura vacinal, combater informações falsas continua sendo parte importante da prevenção. Entre os mitos mais recorrentes está a ideia de que o sarampo seria apenas uma doença comum da infância. Embora muitas pessoas possam se recuperar, o sarampo pode provocar complicações como pneumonia, otite e encefalite e, nos casos mais graves, levar à morte.
Outra informação falsa ainda disseminada é a associação entre a vacina tríplice viral e o autismo. Segundo o docente, essa relação não encontra respaldo nas evidências científicas acumuladas. A alegação teve origem em uma publicação posteriormente desacreditada e retratada, mas continua repercutindo entre parte da população.
Também é equivocada a percepção de que, por o sarampo ter sido eliminado anteriormente no Brasil, a vacinação teria deixado de ser necessária. A manutenção do controle de doenças imunopreveníveis depende justamente de uma população com elevada cobertura vacinal. Com o intenso deslocamento de pessoas entre países, o vírus pode ser novamente introduzido e encontrar indivíduos suscetíveis.
“Doenças imunopreveníveis permanecem controladas enquanto mantemos elevada imunidade populacional. Por isso, a vacinação contra o sarampo não deve ser entendida como uma preocupação exclusiva da infância”, conclui.
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