A produtividade do 14° BPM/M, durante a 1ª quinzena de julho de 2024, evidenciou uma lógica perversa que define o modus operandi criminal dos criminosos no município de Osasco. Dos 25 presos em flagrante entre os dias 1º e 14 do mês, 19 foram pela prática de apenas quatro crimes: Tráfico de D (7), Roubo (4), Furto (4) e Receptação (4).
Assim, podemos inferir que cerca de 4/5, ou 80%, do trabalho repressivo imediato realizado pelos Programas de Policiamento de Radiopatrulha e de Força Tática direcionou seus ativos operacionais, meios, recursos e tempo para combater crimes que envolvam drogas ou patrimônio.
Considerando que o referido Batalhão é responsável por todo o município de Osasco, cidade com 743 mil habitantes (dados do IBGE) e 2° maior PIB do Estado de São Paulo (segundo a Fundação SEADE), os apontamentos apresentados neste ensaio podem ser compatíveis e similares com outros grandes centros urbanos brasileiros.
TRÁFICO DE DROGAS
O tráfico de drogas, efetivamente, financia o crime organizado, com repercussões nacionais e transacionais. Enquanto que as grandes apreensões quantitativas feitas pela polícia militar do Estado de São Paulo ocorrem em estradas, fruto de um simbiótico e profícuo trabalho de informações entre o Centro de Inteligência e o Comando de Policiamento Rodoviário (CPRv). O Policiamento de Área apreende uma concentração menor, mas com uma maior diversidade de entorpecentes.
Os sete presos por Tráfico de Drogas pelo 14° BPM/M, na primeira quinzena de Julho, referem-se aos chamados “traficantes de ponta de linha”. Em virtude de notícia oriunda do COPOM ou durante o próprio patrulhamento, as Equipes se deparam com os “vendedores”, portando mochilas ou pochetes com, pelo menos, quatro variedades de drogas (normalmente, maconha, cocaína, crack e outra – combinação entre elas ou sintética).
Aparentemente inexpressivas frente à grande tonelagem de drogas em circulação, a “derrubada da biqueira” gera prejuízo ao modelo de negócio ilegal, já que além da perda financeira diária e da mão de obra, o traficante intermediário terá que “adormecer” momentaneamente o ponto ou procurar outro local para a venda – sem entrar em rota de colisão com outros criminosos.
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Já os crimes contra o patrimônio são menos velados e mais ostensivos do que o Tráfico de Drogas, sobretudo, pela possibilidade de (na cabeça do criminoso), ser rapidamente “caído no esquecimento” da Polícia caso consiga evitar a prisão em flagrante delito, marcada por apenas três situações onde o marginal se depara com as Forças Policiais: cometendo o crime, acabando de cometê-lo ou encontrado logo após com os produtos ou objetos do crime. Protagonizados pelo roubo e furto de veículos e celulares, os delinquentes normalmente se organizam em rede, com funções específicas para cada grupo, marcada por estes quatro verbos relacionados ao produto delitivo: subtrair, esconder, desmontar e vender.
A atuação mais incisiva da PMESP ocorre no começo (subtrair) ou no final (vender) desta cadeia, já que oito foram presos por roubo (com violência) ou furto (sem violência), momentos após o cometimento do ato; e quatro foram detidos por receptação (tendo assumido o risco de comprar ou receber o produto criminoso e circular em via pública com tal objeto delitivo).
Inferimos que as descrições brevemente apresentadas neste ensaio sintetizem um “microcosmo” do trabalho repressivo imediato da Polícia Militar em cidades populosas e com densidade demográfica elevada. Neste condão, cabe concitar e estimular o necessário trabalho integrado das demais forças de segurança concentradas nos municípios, destacando as guardas municipais e, principalmente, nossa Polícia Civil – já que o trabalho investigativo é crucial tanto para que os “traficantes de ponta de linha” revelem toda a cadeia e o grande financiadores; como para que os roubadores/furtadores/receptadores possam apresentar os “intermediários invisíveis” (que escondem e desmontam os bens subtraídos).
O exemplo de Osasco, com uma sinergia única entre PM, GCM e PC, é a principal justificativa para a importante redução de quase 50% nos indicadores criminais na cidade. Afinal, cedo ou tarde, o destino do traficante e do ladrão na “cidade trabalho” é um só: Cadeia! Foco na Missão!
*Ten Cel PM Joaquim KEIDA Mendonça Ishy (Cmt do 14° BPM/M e Mestre em Ciências Policiais pelo CAES)
*Maj PM Eduardo MOSNA XAVIER (Subcmt do 14° BPM/M e Doutor em Ciências Policiais pelo CAES)
*Maj PM Marcus ZAMORA (Coord Op do 14° BPM/M e Mestre em Ciências Policiais pelo CAES
Foto: Polícia Militar

