O aumento dos casos de sarampo no Brasil acende um alerta e reforça a importância da vacinação. Uma doença que pode ser prevenida por meio de uma vacina segura e gratuita não deveria voltar a representar uma ameaça à saúde pública. No entanto, a queda na cobertura vacinal, aliada à disseminação de informações falsas, cria condições para que vírus antes controlados voltem a circular.
Em Barueri, segundo a Secretaria de Saúde, não há registros confirmados de sarampo em 2026. Isso, porém, não significa que o município esteja livre de riscos. Manter a caderneta de vacinação atualizada é fundamental para prevenir a entrada e a transmissão do vírus.
Neste ano, Barueri aplicou 14.638 doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Todas as suspeitas notificadas no município foram investigadas pela Vigilância Epidemiológica e descartadas após a obtenção de resultados laboratoriais negativos, emitidos pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL).
CENÁRIO NACIONAL EXIGE ATENÇÃO
Até 19 de outubro de 2026, o Brasil contabilizou 61 casos confirmados de sarampo, segundo dados do Ministério da Saúde. Desse total, 41 foram registrados no Estado de São Paulo: 37 na capital, dois em São Bernardo do Campo, um em Guarulhos e um em Santo André.
O aumento dos registros está relacionado à introdução de casos importados e à circulação do vírus em outros países das Américas, como Estados Unidos, México e Peru.
Apesar desse cenário, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do sarampo, reconhecimento recuperado em novembro de 2024 pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Isso significa que, embora possam ocorrer casos importados e eventuais cadeias de transmissão, não há circulação sustentada do vírus no território nacional.

QUANDO A DESINFORMAÇÃO COLOCA A SAÚDE PÚBLICA EM RISCO
A vacinação é uma das maiores conquistas da saúde pública. Ainda assim, enfrenta um obstáculo preocupante: a disseminação de informações falsas sobre os imunizantes.
Movimentos antivacina alimentam teorias conspiratórias, distorcem evidências científicas e divulgam alegações sem fundamento. Nas redes sociais, conteúdos enganosos podem ganhar grande alcance, gerar insegurança e estimular a população a deixar de se vacinar.
O problema é que a redução da cobertura vacinal enfraquece a proteção coletiva e abre espaço para a circulação de doenças altamente contagiosas.
O sarampo é um exemplo concreto. A doença pode provocar complicações graves e até levar à morte, embora exista uma forma segura e gratuita de prevenção, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Deixar de se vacinar não representa apenas um risco individual. A decisão também pode comprometer a saúde de outras pessoas, especialmente daquelas que não podem receber determinadas vacinas ou que ainda não completaram o esquema vacinal.
ESQUEMA VACINAL CONTRA O SARAMPO
A vacina tríplice viral está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, as recomendações são:
Crianças: primeira dose aos 12 meses e segunda dose aos 15 meses.
Pessoas de 5 a 29 anos: duas doses para quem não possui comprovação de vacinação, respeitando o intervalo recomendado entre elas.
Pessoas de 30 a 59 anos: uma dose para quem não possui comprovação de vacinação.
Profissionais da saúde: duas doses, independentemente da idade, conforme o histórico vacinal.
Em situações de circulação do vírus, o Ministério da Saúde também pode recomendar a chamada dose zero para bebês de 6 a 11 meses e 29 dias. Essa dose é adicional e não substitui as previstas no calendário de rotina.
A vacina tríplice viral é contraindicada para gestantes e pessoas com imunossupressão grave. Em caso de dúvidas, a orientação é procurar um profissional de saúde.
Para verificar a situação vacinal, basta procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, levando a caderneta de vacinação e um documento de identificação. A equipe poderá conferir as doses já recebidas e orientar sobre a necessidade de iniciar ou completar o esquema.
CONHEÇA OS SINTOMAS
Os primeiros sintomas do sarampo geralmente incluem febre alta, tosse, coriza e conjuntivite. Posteriormente, surgem manchas vermelhas na pele, que costumam aparecer primeiro no rosto e depois se espalhar pelo restante do corpo.
A doença pode causar complicações graves, como pneumonia, otite, diarreia intensa e encefalite (inflamação do cérebro). Crianças pequenas e pessoas com o sistema imunológico comprometido estão entre os grupos com maior risco de desenvolver complicações.
Ao apresentar sintomas compatíveis com sarampo, é importante procurar atendimento em um serviço de saúde e informar sobre possíveis contatos com pessoas infectadas ou viagens recentes. Também é recomendado evitar a circulação em locais com outras pessoas até receber orientação de um profissional de saúde.
Foto: Tatiane Zechetto/Secom Barueri

